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Mudança necessária nas escolas

Posted at 23 de janeiro de 2018 » By : » Categories : Artigos » 0 Comment

Uma pergunta que devemos fazer insistentemente diante de tantos problemas enfrentados pelo sistema de ensino brasileiro, é por que as escolas insistem no mesmo modelo pedagógico, nos mesmos procedimentos metodológicos? Há uma forte acomodação na repetição de um mesmo modelo, mesmo com ele não dando os resultados esperados: alunos separados por idades e classes, seguindo uma seriação, provas, notas, carteiras enfileiradas, professores dando aula como únicos detentores do saber. Os milhões de analfabetos funcionais, a violência entre alunos, altos índices de evasão escolar, entre outros problemas amplamente divulgados, atestam a falência desse modelo, mas, repetimos, a movimentação para uma nova escola ainda é tímida e olhada com desconfiança. A situação é tão grave que hoje as escolas de ensino médio transformaram-se em cursos pré-vestibular disfarçados, ou nem tanto, com o processo ensino-aprendizagem atrelado à preparação para as provas que dão acesso ao ensino superior.

E ficamos muito preocupados quando uma amiga nos relatou caso acontecido com ela, que é avó de um lindo garotinho de quatro anos de idade, e que frequenta uma creche de segunda a sexta, em horário integral. Tendo entrado a segunda quinzena de dezembro, quando normalmente o período escolar está encerrando, ou já encerrou suas atividades, minha amiga telefonou para sua filha para combinar passar o neto alguns dias com a avó. Para sua surpresa, foi informada que o garoto estava na semana de provas. Provas? Numa creche? Com quatro anos de idade? Então ela pensou: será que as crianças também terão que entregar TCC (trabalho de conclusão de curso)? É melhor não duvidarmos disso se esse modelo continuar a ser reproduzido em todos os graus do sistema de ensino.

Não consigo compreender essas coisas diante do magnífico trabalho das chamadas escolas inovadoras, que felizmente se espalham pelo país, embora de forma mais lenta do que gostaria. São escolas onde o aluno realmente é visto e tratado como ser humano que é, com inteligência e sentimento; onde o aluno term real participação no processo de aquisição do conhecimento; onde o professor não se desgasta dando aula, mas age como orientador, como tutor; onde os alunos aprendem a trabalhar em grupo; onde a família interage com os profissionais da educação; onde a escola faz parte da comunidade do seu entorno. Sim, essas escolas existem e estão apresentando belos resultados. Perguntemos aos alunos dessas escolas se elas querem um modelo diferente, e a resposta será uma só: não!

Dou como exemplo, por ser uma escola parceira do IBEM, o Centro Educacional Conhecer, da cidade de Leopoldina/MG. Fazer uma visita ao seu dia a dia é revigorar as energias, é se extasiar com um ensino lúdico, participativo, interativo. E como é prazeroso ver as crianças aprenderem a respeitar o próximo, a cuidar do meio ambiente, a trabalhar por projetos de pesquisa. Elas amam o que fazem, têm luz nos olhos.

Está na hora, ou devemos dizer que essa hora está passando, de termos coragem em romper com velhos e tradicionais modelos, pois a humanidade atual caminha acelerada para novas tecnologias e novas formas de viver. A escola ficará à margem desse processo por mais quanto tempo?

Marcus De Mario

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