Para onde vai a educação?

Como um barco que luta entre o que o comandante quer e o sabor dos ventos e ondas, assim vai a educação, meio sem rumo, insistentemente confundida com ensino, como se dele fosse sinônimo, quando a verdade é que o ensino é um dos elementos que compõem a educação, portanto, não podem ser tomados como a mesma coisa. E porque essa confusão se estabeleceu há bom tempo, não conseguimos ver em nossas escolas a educação, e sim, muitas vezes, arremedos de ensino, quando conteúdos curriculares, metodologia de ensino e didática parecem estar em guerra. Alguém sabe do que é feito do projeto político-pedagógico das escolas? Tem o professor consciência da filosofia que rege a educação da qual ele participa como agente? Vamos a mais algumas importantes perguntas: por que temos sala de aula? por que damos aula? por que a aula deve ter duração de cinquenta minutos? por que seguimos currículos fechados? Fechemos as indagações trazendo importantíssima questão: por que não trabalhamos no processo educacional das escolas o aprender a fazer ao outro o que gostaríamos que o outro nos fizesse, que é a regra de ouro da educação?

O que temos lido e ouvido diante dessas indagações não nos satisfaz, pois os discursos, em sua maioria, se perdem em academicismos que chegam a nenhum lugar. E quem pensa diferente, quem faz diferente, ainda é olhado com desconfiança. E indagam os pedagogos de plantão: qual é a base teórica? em que princípios pedagógicos se fundamenta? E por aí vai, num emaranhado retórico sem fim. Não estamos afirmando que teóricos e princípios pedagógicos não sejam importantes, mas não sair de discussões e polêmicas deixará, como sempre deixou, a educação desviada de seu verdadeiro rumo, de seu verdadeiro papel na sociedade humana.

A educação deve propiciar ao educando liberdade de consciência, permitindo o desenvolvimento pleno de seu potencial – cognitivo e emocional -, trabalhando incessantemente pela formação do caráter, ou, como queiram, da ética, da solidariedade. Devemos suplantar o olhar voltado para a matemática e a língua portuguesa, parâmetros atuais, para entendermos o ser integral que vai muito além de um currículo e provas e exames de avaliação.

Enquanto os gestores públicos não entenderem o que seja educação e não fazerem a escola ser interativa, dinâmica, prazerosa, teremos muitos problemas. Enquanto os educadores não entenderem que precisam mudar seu modo de agir, transformando o ensino, teremos muitos problemas. Enquanto os pais não entenderem que são educadores morais de seus filhos, teremos muitos problemas.

Investir em educação é a chave para, com o tempo, minimizarmos todos os problemas sociais. Não temos dúvida sobre isso. Por isso sonhamos e trabalhamos por uma escola diferente, inovadora, humanizada e integrada com a família e a comunidade, quando então saberemos responder positivamente para onde vai a educação.

Marcus De Mario

Deixe um comentário