Sonhos impossíveis

Marcus De Mario

04/06/2019

Após evento sobre educação do qual tive o prazer de participar apresentando proposta pedagógica inovadora para a escola, uma professora veio conversar e expor seu drama enquanto professora universitária e coordenadora de curso de graduação, pois, segundo ela, toda vez que conversa com seus colegas professores sobre humanização do ensino, mudanças na metodologia, formação em valores humanos, ouve que essas coisas são sonhos, são irrealizáveis e que é difícil conversar com ela, pois vive no mundo dos sonhos e não no mundo real. Para seus colegas professores universitários, falar em escola inovadora, em ensino mais humanizado, em formação do caráter dos educandos é uma utopia, um sonho impossível.

E acrescentou: Meus colegas professores desconhecem a realidade do ensino básico brasileiro, vivem apenas o ensino universitário. Sim, triste realidade. E como ser professor, fazer carreira no magistério, está muito mal visto em nosso país, tudo se agrava. Uma colega professora diz que um aluno perguntou se, além de dar aula, ela tinha uma profissão, ou seja, as crianças já não conseguem perceber que ser professor é uma profissão.

O que vai acontecer com a educação brasileira no futuro? Se não acreditamos em caminhos pedagógicos diferentes e teimamos em repetir velhas fórmulas, que, é bom frisar, não têm dado certo, mais alguns anos e não teremos a quantidade e a qualidade de professores que o país irá necessitar.

Segundo dados levantados pelo Todos pela Educação, 2,46 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos estão fora da escola. Entre esses estão mais de 1,7 milhões de jovens entre 15 e 17 anos. A pesquisa aponta que no geral , os estudantes matriculados na escola – pública ou particular – apresentam desempenho inferior às metas estabelcidas pelas avaliações nacionais. Ainda a pesquisa mostra que 12,5% professores sofrem pelo menos um tipo de agressão verbal ou intimidação a cada semana de aula. De cada 100 alunos, cerca de 28 estão com até dois anos a mais do que o esperado para a série que está matriculado.

Está na hora de revermos o que pensamos que seja educação, e o que pensamos seja o processo ensino-aprendizagem, e também qual o papel da escola na sociedade e, ainda, qual a melhor interação deve acontecer entre a família e a escola.

Enquanto ficarmos deitados no descanso de uma zona de conforto ilusória, os problemas irão se acumular e se agravar, ainda mais quando a maior parte dos pedagogos e professores brasileiros não acredita em mudanças, transformações necessárias e urgentes. Pergunto: quem está fora da realidade?

De minha parte continuarei a sonhar, até que esse sonho seja realidade.

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