Textos Pedagógicos

Diálogo difícil

Marcus De Mario

28/05/2019

Tenho tido oportunidade de desenvolver rodas de conversa em escolas, dialogando com professores, pais e alunos. Percebo que as rodas de conversa mais difíceis são aquelas que reúnem professores. Eles têm dificuldade em dialogar, em saber ouvir, respeitar a opinião do outro e saber falar com sentido de construir, de agregar, de cooperar. Trabalham como se fossem ilhas distantes de um arquipélago e não conseguem formar sentido de equipe, daí a dificuldade de dialogar.

A roda de conversa é um processo dialógico em que o coordenador se coloca como provocador e mediador, e quando inicio falo que não estou ali para ensinar, e sim que estamos em círculo para conversar, refletir, propor caminhos, construir em conjunto o entendimento sobre o tema previamente proposto. Alunos, pais e responsáveis não têm problema quanto a falar e ouvir, se abrir e pensar, mas os professores …

É compreensível. Estão formatados no ensinar, no dar aula, no competir para garantir o emprego. Formatados pelos cursos superiores de formação, formatados pelas exigências burocráticas das secretarias de educação, formatados pela escola que resiste a mudanças e transformações necessárias diante dos desafios ddo século.

Uma escola entrou em contato para agendar a roda de conversa e a responsável, coordenadora pedagógica, foi logo falando em palestra. Não é palestra, é diálogo aberto, interativo. A proposta é nada ensinar, e sim provocar reflexão, extrair de dentro de cada um sobre o tema, numa visão ampla que envolve a vida e não apenas a escola. Mas como conseguir bons resultados se os participantes, e entendamos aqui principalmente os professores, não se abrem e ficam apenas na defensiva de uma visão educacional e de uma prática pedagógica já carcomidas pelo tempo?

O professor necessita ter mente aberta, lembrando que vivendo no século 21, em pleno terceiro milênio, não pode ficar vinculado a pensamentos, processos e práticas que são de um ou mesmo dois séculos atrás. Os tempos são outros, as realidades são outras, e temos que entender que todos somos pessoas, seres humanos em interação: professores, alunos, pais e responsáveis, agentes escolares, representantes comunitários. Todos somos dotados de inteligência e sentimento. Ou não?

A busca pelo diálogo será uma constante. Para construir caminhos. Para compartilhar saberes. Para unir experiências. Para desbravar possibilidades. Para fazer uma nova escola.

Deixo o convite para você, professor: vamos dialogar?